Normalidade vs. Loucura: Imposição social?

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A sociedade possui uma forte influência no que tange às concepções que as pessoas elaboram umas das outras. Os próprios conceitos de normalidade e loucura partem da capacidade de alguém de se adequar aos hábitos e costumes existentes na sociedade. No entanto, tais regras sociais possuem um alto teor cultural e uma baixa dose de tolerância ao novo, ao diferente, de modo que o limite entre normalidade e loucura se torne cada vez mais fácil de ser atingido.

Em primeiro lugar, é possível afirmar que, como os indivíduos vivem em uma sociedade de massa, as pessoas tendem a ser muito parecidas umas com as outras e, com a difusão da mídia no que se refere aos diversos dogmas de comportamento impostos pela coerção social, a tendência comum é a da homogeneização. Por isso, aquele que é diferente destoa na multidão, sendo tido como louco. No entanto, considerando que o que é tido como normal pode mudar de uma cultura para outra, esse conceito é maximizado, ampliando a capacidade de aceitação do, até então, diferente.

Alem disso, pode-se refletir acerca de como o que é socialmente considerado normal pode prejudicar uma pessoa. Em um mundo altamente competitivo, no qual o mercado de trabalho é cada vez mais exigente, já é tido como natural que o indivíduo procure estudar, entrar em uma universidade e falar mais de dois idiomas para poder ter uma chance de crescer na vida. Embora possa trazer bons frutos, esse processo de racionalização da vida dentro do que é considerado normal pode levar ao atrofiamento da abstração e da capacidade criativa. É quase impossível fugir a essa regra sem ser visto como louco pela sociedade, e isso pode levar à infelicidade e depressão crônicas.

Portanto, faz-se imprescindível o estabelecimento da existência de uma linha tênue a qual separe o subjetivo conceito entre loucura e normalidade, além do incentivo a práticas de aceitação dos diferentes hábitos, culturas e costumes existentes na sociedade moderna. Se todos fossem racionalmente normais, o viver perderia toda a leveza.

Assim, o ato de enxergar o mundo de uma maneira diferente não só não deve ser considerado anormal, como deve ser agradecido. Se o anormal que vivemos como sociedade é a chave para a felicidade, há um paradoxo quanto à incapacidade de muitos de enxergarem alguma felicidade em si. É necessário deixar que as pessoas imaginem, criem e se diferenciem. Os parâmetros da normalidade devem ser frágeis, não para chamarmos uns aos outros de loucos, mas para permitirmos mudanças no modo em que vivemos. E para melhor. Mais vale mil loucos do que regras sociais cegamente cumpridas.

De perto, ninguém é normal, e uma pequena dose de anormalidade é o que permite que a sociedade continue existindo e se desenvolvendo.

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