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Cotas Raciais: Inclusão ou Retrocesso?

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Desde 1888, com a implementação da Lei Áurea no Brasil, o problema da ausência de políticas de inclusão dos negros no contexto da sociedade brasileira se tornou recorrente durante todo o processo histórico de desenvolvimento nacional. Nesse sentido, pode-se perceber o fato de os negros terem sido vítimas de um sistema que ainda se encontrava arraigado a um passado escravista e a uma sociedade estratificada e preconceituosa.

Por meio desse contexto histórico de opressão, os negros foram submetidos a um atraso educacional e político que ainda na sociedade hodierna revela indícios de sua existência. Por esse motivo, no intuito de se desenvolver um sistema mais justo e igualitário, elaborou-se a política de cotas raciais como um meio de auxílio do governo para os negros ingressarem na universidade. Assim, o beneficiados pelas cotas receberam a oportunidade de lutarem, mais preparados, por um maior espaço no mercado de trabalho, o qual se encontra em um crescente processo de procura por profissionais altamente qualificados.

No Brasil, as cotas raciais só começaram a ganhar mais visibilidade a partir dos anos 2000, quando as universidades e órgãos públicos começaram a adotar tal medida em vestibulares e concursos. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi a primeira instituição de ensino no Brasil a adotar o sistema de cotas raciais, em 2003, por meio de uma lei estadual aprovada em 2001. Já a Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira federal a adotar as cotas, em junho de 2004. De lá para cá o número de universidades que possuem ação afirmativa baseada em raças só aumentou e hoje já representa a maioria das universidades federais

No entanto, é preciso lembrar o caráter mediador e temporário das cotas. Os mecanismos afirmativos devem ser associados a políticas de retificação do sistema educacional básico brasileiro, de forma que, em um futuro tangível, todos os cidadãos sejam submetidos à educação de qualidade e as cotas raciais não se constituam mais como necessárias. Sendo assim, a política das cotas diz respeito a uma questão de isonomia, uma vez que tentam saldar um débito social histórico e possibilitam o vislumbre de um futuro mais equilibrado socioeconomicamente.

Assim, faz-se perceptível o fato de as cotas raciais serem uma ferramenta importante quando relacionadas à dívida histórica da sociedade brasileira para com os negros, sendo uma política a curto prazo capaz de auxiliar no combate à desigualdade de oportunidades. Apesar disso, elas devem vir acompanhadas de um esforço governamental visível no sentido de igualar oportunidades e oferecer educação de qualidade a todos os jovens, não podendo, em nenhuma hipótese, ser utilizadas para escamotear desequilíbrios sociais existentes entre brancos e negros. Mais que políticas de auxílio, as cotas devem ser entendidas como passaporte para um país mais igualitário.

E você? Qual e a sua opinião a respeito das cotas no sistema educacional brasileiro? Deixe sua opinião nos comentários!

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Um comentário em “Cotas Raciais: Inclusão ou Retrocesso?

  1. Eu penso que as cotas são como muletas. Ao invés de melhorar o sistema educacional, principalmente a educação básica, criam cotas de vários tipos, racial, de renda, etc. Com relação à cota racial, eu sou contra. Presumindo que o grande problema, mesmo histórico, é a subjugação do negro, e considerando que este “atraso” histórico imposto aos negros relegou à essa parte da população os piores lugares, empregos e educação, presume-se que o grande problema para o negro entrar na universidade é a renda e não a cor de sua pele. Uma cota de renda (social), justa e honesta, abarcaria não apenas os negros que precisassem, mas sim toda a população necessitada.
    Boa discussão levantada.
    Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

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